

Expressões como “familiaridade com inteligência artificial”, “conhecimento em IA” e “experiência com ferramentas de IA” começam a aparecer com mais frequência em descrições de vagas de emprego. E um detalhe chama atenção: essa exigência já não está restrita às oportunidades de tecnologia.
A mudança ajuda a abrir uma discussão que vai muito além do mercado de trabalho: como a inteligência artificial está transformando a maneira como as pessoas estudam, trabalham, criam e tomam decisões? Essa é uma das questões que estarão no centro da FINC 2026 — Feira Internacional do Conhecimento, que chega com o tema “A Era da IA: A Jornada da Inteligência Humana”.
Comunicação, marketing, administração, vendas, educação, Direito e diversas outras áreas também estão incorporando a inteligência artificial à rotina profissional. Mas, afinal, quando uma empresa diz que procura alguém que “saiba usar IA”, o que ela realmente espera encontrar?
Saber utilizar o ChatGPT ou outra ferramenta de inteligência artificial pode ser um ponto de partida, mas não é suficiente para definir um profissional preparado para trabalhar com IA.
Imagine, por exemplo, um profissional de marketing que utiliza uma ferramenta de IA para levantar ideias para uma campanha. O diferencial não está apenas em fazer o pedido à ferramenta, mas em saber quais informações fornecer, identificar uma boa ideia entre as sugestões e adaptá-la ao público e aos objetivos da empresa.
O mesmo vale para outras profissões, um advogado pode utilizar IA para organizar informações de um documento; um profissional de Recursos Humanos pode apoiá-la na análise de currículos; um administrador pode utilizá-la para identificar padrões em dados; e um jornalista pode recorrer à tecnologia para pesquisar, organizar informações e desenvolver pautas.
Em todos esses casos, a ferramenta auxilia o trabalho, mas a decisão continua dependendo do profissional.
Se a inteligência artificial já está mudando as profissões, ela também está mudando a maneira como pensamos sobre educação, criatividade, ciência e o próprio futuro. É justamente essa discussão mais ampla que a FINC 2026 propõe colocar em evidência.
Com o tema “A Era da IA: A Jornada da Inteligência Humana”, a Feira Internacional do Conhecimento convida o público a refletir não apenas sobre o que a tecnologia é capaz de fazer, mas sobre o papel das pessoas diante dessas transformações.
A proposta reúne conhecimento, tecnologia, ciência, inovação, cultura e diferentes experiências para discutir um futuro que já começou a fazer parte do presente.
Na prática, a expectativa não é que todo profissional se torne especialista em tecnologia, o que ganha espaço é a capacidade de entender como a inteligência artificial pode ser aplicada ao próprio trabalho e utilizá-la de maneira produtiva e responsável.
Kory Kantenga, economista-chefe do LinkedIn para as Américas, explica que os empregadores querem profissionais que tenham experimentado ferramentas de IA e compreendam como elas funcionam, quando podem gerar valor e em quais situações apresentam limitações, a habilidade, portanto, vai além de simplesmente conhecer uma ferramenta.
Isso pode significar:
É por isso que “saber usar IA” está se tornando uma competência profissional: não se trata de delegar o trabalho para uma ferramenta, mas de saber trabalhar com ela.
Uma das principais vantagens da inteligência artificial no trabalho é a possibilidade de reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e apoiar atividades que exigem organização, pesquisa e análise.
Um profissional pode, por exemplo, utilizar IA para transformar informações dispersas em uma primeira estrutura de relatório. Mas ainda precisará conferir os dados, interpretar os resultados e construir a versão final.
É justamente aí que entra uma habilidade cada vez mais importante: pensamento crítico.
Uma resposta produzida por inteligência artificial pode parecer convincente e ainda assim estar errada. Por isso, quanto maior o conhecimento do profissional sobre sua própria área, maior tende a ser sua capacidade de avaliar se aquela resposta realmente faz sentido.
A inteligência artificial também está mudando o perfil de competências valorizadas pelo mercado. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, coloca IA e big data entre as habilidades de crescimento mais acelerado, mas também destaca competências como pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade e adaptabilidade.
O movimento também aparece no mercado brasileiro, o LinkedIn apontou AI literacy, ou letramento em inteligência artificial, como uma das habilidades que mais crescem no país, ao lado de competências como comunicação e pensamento estratégico.
Isso ajuda a explicar por que uma vaga para um profissional de comunicação, por exemplo, pode mencionar IA sem exigir formação em tecnologia. A empresa pode estar procurando alguém que saiba usar a tecnologia para fazer melhor aquilo que já sabe fazer.
Não é necessário esperar a chegada ao mercado de trabalho para começar a desenvolver essa competência. Um bom caminho é experimentar ferramentas de IA em atividades acadêmicas e profissionais, sempre entendendo seus limites.
Um estudante de Administração pode utilizá-las para organizar dados e testar cenários; o de Direito pode explorar ferramentas de pesquisa e organização de documentos; estudantes de Comunicação podem utilizá-las para brainstorming, planejamento e análise de conteúdo.
O importante é aprender a utilizar a tecnologia sem abrir mão da autonomia, da ética e do pensamento crítico.
A transformação provocada pela inteligência artificial não significa que todas as profissões passarão a exigir conhecimentos técnicos avançados em tecnologia.
Em muitos casos, a expectativa é mais simples e, ao mesmo tempo, mais estratégica: saber quando, como e por que utilizar a IA.
Por isso, diante de uma vaga que pede “familiaridade com inteligência artificial”, vale olhar além do requisito. O mercado está sinalizando que a capacidade de trabalhar com novas tecnologias está se tornando parte da preparação profissional.
E, nesse cenário, o diferencial não está apenas em conhecer a ferramenta, mas em ter conhecimento, pensamento crítico e criatividade suficientes para saber o que fazer com ela.
Talvez a pergunta mais importante não seja “a IA vai substituir o meu trabalho?”, mas “como posso me preparar para trabalhar melhor em um mundo em que a IA já faz parte dele?”
Essa é uma das conversas que a FINC 2026 pretende ampliar: como equilibrar o avanço da tecnologia com aquilo que continua sendo essencialmente humano.
O processo seletivo está encerrado no momento.